A HUMANIDADE ARDENTE EM MAGMA TAISHI!
Diante dessa minha breve jornada por "Mechas"/Tetsujins eu acabei por me lembrar de um mangá de Osamu Tezuka que anos atrás eu já tinha separado para ler, mais bem… época obscura.
Mas desde que me aprofundei nesse gênero de "Mechas", eu me deparei com tramas muito profundas, dramas extremamente consistentes e concisos, lutas maravilhosas e designs extraordinários. Disse para um amigo que iria me dedicar a ver a maioria das histórias de Mecha que saíram antes de Gundam para acabar sentido da melhor maneira a mudança drástica que ele causou com esse gênero, e Magma Taishi/Ambassador Magma (1965 -1967) de Osamu
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Tezuka foi uma jornada bem intrigante e interessante, um mangá breve, apenas 21 capítulos, 3 volumes, mas com uma quantidade avassaladora de assuntos a serem comentados…
O mangá já começa com algo estranho, um garoto, Mamoru, acordando dentro de sua casa, mas com a sua casa envolta por uma selva estranha e até mesmo pré-histórica, seu pai e sua mãe ficam desnorteados, e logo após aparece o vilão Goa se apresentando e alertando que ele iria dominar a Terra. Logo após isso todos retornam para o Japão seguros, mas com a premonição de que eles seriam atacados por seres alienígenas Reptilianos, o que os faz ser motivo de chacota, mas então um ser humanóide aparece, todo dourado reluzente, Magma, uma espécie de robô mais humanizado que o normal, e disso daí, agarrado em Magma, Mamoru é levado a conhecer o mestre Earth e é clonado em uma espécie de robô "dando a luz" ao filho de Magma e Mol, Gum, e ele ganha um objeto que o permite evocar o Magma e o Gum quando ele quiser, a partir desses acontecimentos Mamoru se envolve em uma disputa pela dominação da Terra que nunca imaginou.
Partindo desse ponto algumas coisas devem ser esclarecidas, Magma Taishi não é exatamente um "Mecha", como eu acabei citando acima ele tá mais pra um "Tetsujin", uma pessoa de metal, Magma, Mol e Gum são uma família. Pai, mãe e filho, e o Tezuka não mede esforço em esconder onde que ele quer chegar com isso, a concepção da família que pode ser diferente e que mesmo assim não deixa de ser humana, coisa que até hoje ainda é muito criticada no Japão, e visto isso quando nos capítulos finais as pessoas estão gritando pelo Magma e quando ele vence (nem é spoiler po) todos o abraçam num ato de felicidade que nem se lembram da desconfia inicial. (não vou entrar na discussão do "salaryman" e da xenofobia japonesa, isso é coisa para ser discutida em outras obras, já até o fiz brevemente naquela minha análise HORRENDA de Chainsaw Man) Sem medir a dosagem o mangá tem uma quantidade de gore assustadora e mostra bem os personagens sendo feridos e martirizados, e aproveita bem disso para evidenciar ainda mais essa proximidade, ele até extrapola ainda mais fazendo o Mamoru levar um tiro de escopeta e ser jogado de um penhasco e depois atacado por lobos, numa forma de cansar o leitor com a violência apresentada.
Outro ponto é quando a história escalona para algo distópico, quando o ataque do Goa acontece e tudo dá errado, Magma perde, a terra é dominada e pessoas começam a serem substituídas, pessoas falsas tomam conta do planeta Terra e as verdadeiras são obrigadas a se esconderem com medo, fazendo como se fosse uma caça às bruxas e conversando com a mensagem anterior dele sobre humanidade, neste momento da história, a humanidade foi substituída por algo falso, sem coração, sem alma e isso é fruto da desconfiança, da maldade e da fraqueza. Mas eu gosto de um momento específico em que a história reverte isso colocando uma personagem que vivem em conjunto com sua versão falsa e não só ela como toda a sua vila as aceitou, mas em um momento de raiva o pai de Mamoru envenena a versão falsa e acaba a matando. O mangá apresenta muita coisa visando a humanidade, como também em sua reta final que temos um robô gigante onde seu cérebro/coração é um bebê e quando ele o perde ele fica descontrolado, percebem que em um bebê não existe e a maldade e quando o perdemos é quando vem essa versão violenta de nós? Isso é o que o Tezuka quis passar.
E além de uma mensagem esperançosa o Tezuka soube aproveitar muito bem de cenários e de páginas e poses para causar impacto, da para ver o quanto de influência ele puxou de filmes de Kaiju, com o principal sendo o Gojira/Godzilla, mas também usando muito o que Mitsuteru utilizou em Tetsujin 28-gou, a visão da criança controlar uma máquina potente e onde ela com sua crença infantil consegue levar essa "arma" a fazer coisas boas. Mas incrivelmente o Tezuka não faz exatamente isso, Mamoru não é infantil em nenhum momento, sempre bem violento e impulsivo, mas essa visão o faz tomar decisões racionais e ter uma ótima coragem. Em um ponto da história encontramos muitas outras crianças que foram raptadas pelo Goa e isso conversa muito com a ideia inicial do Mitsuteru, pois essas crianças são infantis e genuínas, porém elas foram capturadas e estão sendo mantidas em cativeiro, até a chegada do Mamoru e do Gum para as libertar.
Diante tudo isso em um amplo geral a história é rica em diversas instâncias, mas acho que algo aconteceu pois o Tezuka esquece de muitas dessas discussões depois, e a história vira basicamente uma história de ação de filme de Kaiju genérico, o que me deixa bem triste. Ele também não se esforçou bastante nos designs os deixando bem sem sal e bem esquecíveis, em geral o Goa tem o melhor design pois é levado para o caricato, o que representa totalmente o vilão.
Mas acho que é isso, de um geral a história é boa, mensagem bem interessante e uma arte muito competente para a época, eu adoro as pinceladas que ele faz nas nuvens as deixando com detalhes ótimos, foi uma leitura muito agradável e sem muita gordura, muito obrigado Tezuka por nos deixar várias histórias maravilhosas como está!!
Mar 27, 2023
Magma Taishi
(Manga)
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A HUMANIDADE ARDENTE EM MAGMA TAISHI!
Diante dessa minha breve jornada por "Mechas"/Tetsujins eu acabei por me lembrar de um mangá de Osamu Tezuka que anos atrás eu já tinha separado para ler, mais bem… época obscura. Mas desde que me aprofundei nesse gênero de "Mechas", eu me deparei com tramas muito profundas, dramas extremamente consistentes e concisos, lutas maravilhosas e designs extraordinários. Disse para um amigo que iria me dedicar a ver a maioria das histórias de Mecha que saíram antes de Gundam para acabar sentido da melhor maneira a mudança drástica que ele causou com esse gênero, e Magma Taishi/Ambassador Magma (1965 -1967) de Osamu ... |